Esconderijo

SEJA VOCÊ

Seja você, como eu jamais consegui ser eu. Viva a sua vida, como se a minha não estivesse ao seu lado, e cubra-se porque a tempestade está por vir. Folhas serão arrancadas das árvores com tamanha agressividade, noites se transformarão em dia em segundos, e o mundo estará de cabeça para baixo. Ainda assim, continue lendo, pois mesmo que o mundo esteja com a cabeça pra baixo, você ainda está com a sua no lugar. Ou melhor, o seu pensamento está. Espero que suas ideias não caiam com tanta turbulência.

Boa leitura, Amanda Oliveira.

sábado, 12 de junho de 2010

SUSPIRO de hoje: Maluca, Louca Desesperada



Maluca, Louca Desesperada





Deixei você ir porque não tive escolha, não era sua dona.  Porque de nada adiantaria sorrir e não ser recompensada. Seria demais para mim sair e deixar você sozinho, eu ficaria pensando no que você estava fazendo e com quem. Preferi comprar um cachorro. Sim, talvez eu estivesse ficando maluca. Um cachorro não substituiria você, seria melhor. Eu iria correr de manhã no parque, e ele iria me acompanhar, sem reclamar em ter que se vestir, e que estava cansado demais para isso. Depois de correr nós voltaríamos pra casa eu tomaria um banho e iria trabalhar. Mudaria a minha rotina. Sempre iria almoçar em casa para não deixar ele solitário. Eu sei que umas horas sozinho fariam ele ficar mais tranquilo. Eu abriria a porta e ele viria correndo para mim e nos apertaríamos em um abraço sem fim.
 Eu estava ficando louca. Trocar você por um CACHORRO? Ele não toma banho sozinho, às vezes fede. Tenho que levá-lo ao veterinário. Ele não pegaria o carro e iria sozinho no médico. Ele era safado, me trocava qualquer hora por um poodle sem graça e me trairia em pleno parque. Eu ficaria chamando o seu nome para tentar chamar sua atenção, e desfazer aquela cena assustadora que estava presenciando. Vê-lo acasalar com uma cadela! Depois ele sairia todo metido abanando o rabinho.
Você seria mais cauteloso e não deixaria que eu soubesse da traição. Porque eu sei que na verdade você me amava e aquilo era só atração. Quem estava na sua cabeça era eu. Se você me traísse, você chegaria em casa com rosas amarelas e diria que o meu cabelo ao sol era tão lindo quanto elas. E eu sabendo da verdade deixaria me levar pela emoção e esqueceria tudo.  Naquela hora eu era a sua dona. 
Trocar você por um cachorro até seria uma boa ideia sabe...? Mas eu prefiro não ser dona de ninguém, nem de cachorro ou de um homem. 
Compraria um papagaio. Eu estava desesperada. Um papagaio seria uma ótima ideia, eu não precisaria levá-lo para passear, não precisaria almoçar em casa. Chegaria de casa a noite e apertaria o botão da secretária eletrônica para ouvir os recados. Eu escutaria. Depois como se pensasse que eu fosse surda, repetiria todos os recados. Eu ligaria para minha melhor amiga e fofocaríamos por horas, quando eu desligasse o telefone. Ele iria repetir as palavras mais feias que eu tivesse dito, como se me recriminasse.  De manhã o sol brilharia em suas penas coloridas e eu pensaria: "Como é bom ter um papagaio".. Então eu chegaria perto e sentiria o odor e faria uma cara de nojo. Começaria a limpar sua gaiola. Ele seria como um disco arranhado, sempre repetindo e ainda por cima me copiando. Não teria personalidade.
Por fim decidi não comprar cachorro, papagaio ou ficar com você. Mais fácil naquele dia dos namorados procurar por um que fosse humano, que gostasse de correr em parques, que tomasse banho sozinho, que não fedesse.

sábado, 22 de maio de 2010

SUSPIRO de hoje: A carta




A carta


Ao ler a carta que ele havia escrito, águas salgadas escorrem pela face dela
Desculpe, desculpe por não estar ai agora, por não passar o seu aniversário com você. Presente? Não posso dar, mandarei pelo correio, porém sei que não será a mesma coisa. Tudo que tenho a dizer é que eu queria ser o seu presente, o mais importante, o mais desejado.
Talvez uma mera mensagem você receba, de um simples “Feliz Aniversário” ou um “Parabéns, tudo de bom”...tão piegas, você sabe que eu gosto de ser piegas. Não se preocupe com o meu estado emocional, estarei bem, dormindo e sonhando. O sonho seria assim: Eu e você, num trailer comendo um X-salada que eu adoro, e para você um X-salada sem ovo, pois nada de misturar proteínas com carboidratos. O garçom chegaria e perguntaria o pedido, você diria que gostaria de um X-salada sem ovo, sem molho. Eu faria um trocadilho e zombaria do seu pedido dizendo que seria um X-sem nada, você faria uma cara feia, como uma criança birrenta, eu sorriria e você também, juntos passaríamos horas e horas conversando e planejando viagens e momentos que talvez nunca iremos passar.
Esse talvez que repito é por causa dessa saudade que bate forte. Daqui a pouco vou ter um ataque e ir até ai por apenas doze horas, dar um abraço forte e um beijo em você TALVEZ para você não seja o suficiente, afirmo, nem pra mim.
Hoje 4 de janeiro, mais velha? E mais bonita. Fico desconfiado por não me mandar mais fotos? O que há, arranjou outro e não quer mais me ver? Sente-se velha? Sei que também não mando mais cartas, e-mail é tão mais fácil, nem preciso caprichar na letra pra ficar legível.
Aqui é tudo muito estranho, fiz algumas amizades e muitos colegas. Nada de especial, só uma menina nova na classe, sei lá, ela me intriga, até agora não deu uma palavra, as notas ninguém sabe, o nome é Sophie, achei ela até bonita, mas nada que se compare a você.Não fique com ciúmes.
Estou pensando em fazer uma loucura hoje (não pense coisas obcenas antes de terminar de ler a frase), irei a um  bar, beberei vinho,  de boa qualidade é claro, depois irei ao cinema, ver um filme bem dramático, em seguida vou a uma confeitaria, comprarei um bolo todo de chocolate e levarei para casa, cada dia da semana comerei, como faríamos, tomarei de café-da-manhã bolo, almoçarei bolo, jantarei bolo, e até o fim da semana não vai ter nenhum pedacinho na geladeira. Sim, o bolo do dia seguinte é sempre melhor.
Conversando com meus novos amigos, contei sobre a carta que estou escrevendo, eles riram, riram muito, disseram que daqui a menos de dois anos não estaremos mais juntos, é muito tempo sem... Ri junto com eles, sem comentar nada é claro.Mentira, comentei sim, nem por carta consigo mentir pra você. Não me culpe, sei que você também fofoca com suas amigas, não tente me convencer que não.
Depois de sete parágrafos acho que cheguei ao fim. Divirta-se com seus amigos. Pode apostar, eu estou me divertindo. São exatamente 00:01, depois de amanhã, vou sair e fazer a tal loucura de que falei. Sei que quando receber a carta vai ser seu aniversário. Eu te amo.
                                                                                                                                          Alexandre
Ps: Faz 1 ano, será que aguentamos mais um?

Depois de ler, o telefone toca, uma mensagem:
Feliz Aniversário
Remetente: 550539383983



segunda-feira, 3 de maio de 2010

SUSPIRO de hoje: Medo










 Medo
As vezes dá um medo, um medo de seguir em frente, de tentar. Penso eu que só tenho isso pra mim, que outros não compartilham comigo o mesmo anseio.Mas não é bem assim, temos medos muitos comuns. Dá vontade de gritar, chorar, uma mistura de sentimentos todos confusos, sem que possamos pensar em que fazer, em como seguir em frente, nessa hora perguntamos para amigos, família, estranhos, infelizmente nenhum sabe dizer a resposta que nossos ouvidos querem ouvir.
A verdade é que quando estamos assim a nossa cabeçinha inventa de criar modelos de respostas: “Não faça isso, siga em frente”, “Não dá bola”. E na hora H tudo isso não presta pra nada, ficam enrolando, todo mundo já sentiu isso, esse medo terrível de errar e continuar errando, de estar gastando tempo com coisas que no final não valeram de nada.
Tem horas que a gente quer uma resposta objetiva, e  não uma reflexão cheia de palavras difíceis, só pra podermos achar o caminho, e seguir chegar no final, só um empurrãozinho.
Mas quando que é o final? Quando que saberemos se fizemos tudo certo? Se nossos acertos estavam certos, e os erros errados?
 Mudar é difícil, mas não é impossível. Mais difícil que mudar é ter força pra mostrar para o resto do mundo que você mudou e sabe disso.




sábado, 1 de maio de 2010

SUSPIRO de hoje: Lembranças

Lembranças
Andando pelas ruas meu pensamento voou , com a música de fundo me lembrei de coisas fantásticas que vivi, e que tenho saudades, não que eu quisesse voltar ao tempo. Essas são saudades boas, saudades do tempo em tudo que falávamos sem pensar e não tinha problema, a inocência era a nossa lógica. 
Lembrei de aniversários, de comemorações, de brigas, desavenças, e a diferença de todas essas lembranças não me deixaram abalar, ri de tudo isso. Toda essa euforia interior que me deixava mais feliz por poder viajar no tempo, como um fantasma, me ver lá, assistir meus erros e acertos,  Sentir tudo de novo. 
Quando dou-me por conta que eu já passei por isso, já chorei, já ri, já briguei. 
Agora é hora de chorar outras tristezas, de rir alegrias e brigar por outros assuntos que eu nem imaginava que existe. 
Toda essa viagem eufórica foi  as minhas lembranças, queria que pudessem inventar uma câmera para tirar fotos de lembranças, ou uma filmadora, para eu ver em movimento tudo o que passei e o quão divertido foi. 
Já podemos fazer isso. 
Viaje agora, sua passagem está aqui neste texto. Não precisamos de fotos, vídeos ou qualquer coisa para nos lembrarmos, elas só nos ajudam para nos dar esse empurrão na hora de embarcar.. 


quarta-feira, 21 de abril de 2010

SUSPIRO de hoje: Consciência



 Consciência
Ela sabia o que tinha feito de errado, modos, jeitos, palavras. Mas o orgulho não a deixava voltar atrás.
Num dia qualquer, as sete da manhã o telefone toca:
_Alô? _ disse a moça ainda sonolenta
_É a senhorita Marília? _ pergunta uma voz passiva do outro lado da linha.
_Sim, sou eu mesma, com quem falo? _ como Marília morava sozinha ficou curiosa para saber o que o tal homem queria com ela a essa hora da manhã. Seria notícias ruins, ou boas, alguem teria morrido? Mas, ela não conhecia nenhuma grávida.
_Aqui é da funerária Santo Deus [...] assustada ela interrompe o homem
_Santo Deus, quem  morrreu?
_Acalme senhorita, nós só queremos lembrar, que se algum parente seu morrer, lembre-se da nossa funerária, aqui  temos ótimos preços. Podemos parce..
_Ah, faça-me o favor, essa hora da manhã? Funerária._ diz a moça irritada
_Parcelamos em até.._continua o vendedor
Tu Tu Tu.._ Ela desliga o telefone, resolve tentar dormir novamente.  Vira pra cá, Vira pra lá, já se passaram 5 minutos. Pensa:
_Por  que não podemos  parcela r a morte?_ reflete_ Por que não podemos fazer igual a funerária.
Então surge do nada a voz do vendedor e responde sua pergunta:
_Nós parcelamos a morte. Parcelamos todos os dias,  morremos aos poucos, a cada dia que passa estamos morrrendo, morremos quando brigamos, morremos quando sentimos raiva, morremos quando sentimos pena, morremos quando temos medos, morremos quando sorrimos,  morrremos quando choramos,  morremos a cada minuto que piscamos. A  única diferença é que dependendo da nossa parcela de morte, podemos ter descontos ou juros.
Depois de alguns minutos a moça disca um  número:
_ Oi, pensei que você iria demorar para ligar. _ Disse  a voz do vendedor do outro lado da linha.
_ Desculpe, foi engano.
Disca outro número:
_Não fale nada. _disse ela. _ Eu sei que errei por ser tão ansiosa, tão  orgulhosa tão inconsequente. Me desculpa?
_..._ Uma respiração vaga pela linha do telefone
_ Oi, pensei que você iria demorar par ligar. _ disse o homem_  Sim desculpo.
                               

Amanda Oliveira

quinta-feira, 1 de abril de 2010

SUSPIRO de hoje: Sem Querer

Sem Querer
Depois de uma discussão matinal, a mulher senta á mesa e sussurra  em forma de um pigarro “Acabou, eu não aguento mais”, com isso o marido escuta e retruca: 
_Acabou  o quê, em mulher? 
_Acabou tudo, tudo tudo tudo_ E continua a repetir a palavra gradativamente
_Como assim? _ Diz o marido aflito_ O que você está querendo dizer?
_Que eu quero me separar! _ O homem escuta, apóia-se na mesa, e senta na cadeira apavorado
_Não, isso foi só uma briga, se acalme mulher, se acalme._ Começa a chorar como uma criança e acabou de quebrar o brinquedo sem querer.
_Mas é sério, muito sério. Acabou o amor entre nós. 
_Eu não deixei de amar você.
_Você deixou sim, mas ainda não sabe, você deixou de me amar faz muito tempo, nós deixamos de nos amar quando brigávamos e depois de cinco minutos ninguém iria pedir desculpas, deixamos de nos amar quando dormíamos brigados, deixamos de nos amar quando não tínhamos assunto nas refeições você lia o jornal, e eu assistia tv, deixamos de nos amar quando esquecemos do juramento do casamento, na alegria, na tristeza..esquecemos que nós poderíamos compartilhar não só tristezas, mas alegrias também, deixamos de nos amar quando na manhã seguinte eu não corria para o telefone para falar com as minhas amigas e contar como  a noite passada foi boa, e você, quando não saia mais cedo para o trabalho para ir  comemorar com os colegas do escritório, deixamos de nos amar quando não entendíamos que cada um tem a suas amizades, e que podemos conviver bem com as amizades dos dois, deixamos de nos amar quando resolvemos não ter filhos para não termos complicações e estresse, deixamos de nos amar quando esquecemos que um filho é um eterno pedaço de nós dois, deixamos de nos amar sem querer, sem perceber.
_ No.._ O marido tenta dizer uma palavra, mas não consegue, desaba a chorar, a mulher coloca as mãos na face e diz:
_Não pense que foi tudo em vão, nós nos amamos por muito tempo, mas o amor desapareceu, evaporou. _ Ela começa a chorar_ Eu queria ter um filho com você, eu queria uma união eterna, eu queria ter medo de ser mãe igual todas minhas amigas, ter medo que meu filho teja algum problema, ou que ele nasça com algum defeito, eu queria trocar fraldas, dar banho, ver ele aprender a escrever. EU QUERIA ENSINÁ-LO A VIVER!
_ Você está colocando toda SUA culpa nas minhas costas! _ Ele resmunga
_Não, você é que percebeu que você também tem a sua cota nessa separação, porque  todos os dias que eu queria te contar uma novidade,  você dizia que não queria saber de novela, e as vezes nem era sobre a novela.
_ Se é pra lavar roupa suja, então vamos lavar. Lembra da vez que eu tive que fazer uma cirurgia pequena, e você não quis ir? Você falou que era o fim da novela.
_ Sim, não era uma cirurgia importante mesmo. _ Contesta_ Você não esqueceu disso até hoje, né?
_Não, não era uma cirurgia grave, mas eu queria que você estivesse ao meu lado.
_Vamos acabar com isso? _ Diz a mulher
_ Você quer terminar com o casamento? _ As  lágrimas voltam e começam a escorrer novamente, ele soluça e diz_ Não podemos dar um tempo?  
_Não. _ Uma correnteza sai dos olhos da mulher
_ Eu tenho o meu antigo apartamento, posso me mudar agora mesmo, esse aqui é seu._ O marido caminha em direção a mulher então entrega as chaves e , abraça-a_ Você disse bem, deixamos de nos amar sem querer..._ Ele sai da cozinha, vai para o quatro, chorando, arruma as malas. De presente deixa a sua gravata favorita, a do seu primeiro encontro. A mulher ainda sentada á mesa:
_Deixei um presente para você _ Ele sorri, para não chorar
_ É? _ Ela corre para olhar  o presente, acha a gravata e volta para cozinha, procura o marido e diz:
_ Sem querer... _ A porta bate.
                                                                                                            Amanda Oliveira